22/08/2007

Arte

Forte e bela se manifesta
Os afetos da alma,
Traz alegrias, paz e calma...
Suave quão uma tela ou ler poesia,
ouvir música...
não sei se o artista morre sem apologia.
Falar de arte é ouvir sonata ao violino
E a poesia corre célere no pensamento
No pensamento ágil da poeta,
Falar de arte é compromisso.
O dom da arte é pleno
E o pintor em seu desenho caminha,
Viaja nos traços,
Leves e sutis dão forma
E mostram sua criação, obra Divina.
Tela pintada por mãos abençoadas,
Pelos deuses do infinito, raras,
Belas nos abstratos não compreendidos
Mas admirados,
Deliciados pelo olhar...
Marta Peres

Mata


Caminho por densa mata ainda não devastada,
Vejo que mãos predatórias não a conhecem,
Sinto acolhida mansa e a boa sombra
Embrenho-me sozinha seguindo trilha definida.

Existem pontos da mata onde emaranhado
De sua vegetação densa e sem clareiras acentuam
E o escuro se intensifica, assombra e dá medo
Àquele que não conhece...

Um forte perfume silvestre paira no ar
E me envolve, minha impressão viva deslumbra
Pela pujança e suntuosidade da selva
Que me aturdiu e amedrontou...

E a mata inteira me convidando a continuar
Num passeio onde meus olhos pousavam
Em flores exóticas, e o convite a dormitar,
Descansar sobre ramos verdes, puro frescor.

Templo venerando!
Colunas, arcos, lustres rebrilhando
E capitéis, nichos e recamos!

Ao crepúsculo tudo se torna triste
E meu coração chora, sente a dor da agonia
Vendo a mata adormecer, deserta,
Só com seus habitantes.
Marta Peres

Todo o Dia

Minha casa vazia e triste
Recebeu você com alegria
E o sol penetra pela janela
A muito esperando um grande amor...

E o sol se fez abrasando tudo
E ouvi o cantar de pássaros
no meu coração e na minha vida,
meu jardim floresceu enverdeceu
tudo a sua volta...

Não durou muito ou nada
E foi somente um aceno
Uma brisa que beijou meus lábios
Partiu sem dizer adeus...

Cá fico eu debruçada à janela,
Vejo-te passar, nem voltas o olhar...
E todo dia é a mesma coisa...
Tu passas...eu vejo...tu não olhas...
Todo dia...
Marta Peres

Paz ao Amigo

Folhas caem no meu caminho
E vou pisando com cuidado,
não quero que machuquem nem se quebrem...

Levo em minha mão uma rosa branca
Esta, é para entregar ao meu amigo.
Amigo que estendeu a mão e compreendeu
Amigo que soube perdoar...

Levo comigo a rosa branca
E é a rosa da paz,
Ela cultivei no coração
E na mão direita
Carrego com devoção...

Levo na outra mão pequena caixinha de música,
Impregnada do perfume que guardo no coração
E enlaçada por laços de cetim,
nela guardo meu abraço e meu amor sem fim...

Quando abrires a caixinha não mais me verás,
Partirei ou logo irei em viajem,
Deixo a ti véus de seda e brocado
Encantadas pela mão do Mago.

Quando o sol for–se embora, lembra de mim,
Tentei conseguir sua boa amizade,
Se não esqueceu o pior desencanto
Não soube perdoar o meu pior engano!
Marta Peres

Sem Rumo







Com pensamento carregado de apreensões
A poeta põe-se a cismar,
Testa franzida e vencida pelo desalento
Esquece-se de si mesma,
Aturdida e perplexa julga-se fantasma
E a vagar vê-se perdida
Entre o céu e a terra.

Nesta hora sente-se perdida
como vento perdido pelos abismos do mundo,
sem alento, sem rumo a pobre vaga
como vagabunda, sem lar e sem abrigo.

Caminha por caminhos de difícil transpor
E sente pesar desconhecido...
Abatida desce ao charco mais profundo,
Imundo e cruel.

Não tem lugar de repouso
E nem sei onde mora,
Nunca teve, nem nunca encontrou.
Onde fica seu triste pouso?

Segue com seus pensamentos
E eles caminham no escuro
Já nem sabe que lado procurar
E não sabe que rumo tomar...
Pensa:
De onde vim, para onde vou?

Marta Peres

A Hora da Morte

Reza o ato de contrição
E expunge de tua alma suas nódoas.
Venturosos são os que,
Fortalecidos na graça do perdão,
Se alinham no caminho do bem,
Quando, então, suas almas conhecerão afinal,
O Reino dos Céus.

Livra minhas culpas por misericórdia,
Estou arrependida e hoje sou penitente...
Me encontro nos estertores da morte
Levando minha cruz,
Neste cruento Calvário.
Misericórdia Senhor!

Humildemente rogo ao Filho de Deus como
O fez o bom ladrão...
Sim, pequei e me arrependo...
Mereço o perdão!

Minha cruz é pesada, amarga
Vivo na solidão deste agreste Calvário...
Olho a Cruz mais alta, choro
Vendo sangue gotejar sobre as urzes
E transformando em contas de rosário.

Porém, luzes dela se expandem...
Novamente vi Cristo
Morrendo solitário
E eu me contorcendo e gemendo...
Fito o céu, arrependida também
Entrego minha alma.
Marta Peres

Fantasma

Exaurido ele passa...
Caminha lentamente
Buscando seu sonho perdido,
Já velho e cansado nada mais espera
Nem quer e nem ilusão de encantar
Tem cumprido.

Eis que passa...
Como desgraçado caminha,
Esquecido pára,
Busca sonho perdido.

Da janela o vejo sob a luz do poste,
Olha de um lado para o outro
Não sabe que rumo tomar...
E o velho fantasma
Fazendo fumegar o cachimbo
olha fumaça subir devagar...

Já se vê sem serventia,
O pobre nem como vento
Consegue assoprar...
Ali, parado na praça sabe
Não ter ninguém para assombrar.

E vai pachorrento o velho fantasma
Sem saber o destino a tomar.
O rio corre para o mar
E o sol percorre uma estrada
Como coche divino sobe, brilha
E se esvai...
Marta Peres

15/08/2007

Gotas de Orvalho

Hoje pela manhã
abri a janela bem devagar,
saí ao jardim
e vi bela Flor Azul derramar o orvalho,
Gotículas finas pingaram no lençol
verde.
Maravilhoso de se ver com os olhos
e o coração sentiu imensa alegria,
paz queinebriou todo o ser...
Dia abençoado pelos Deuses foi quando
trouxe-a como presente, minha amiga.
Marta Peres

Nosso Amor




Meus olhos encheram-se de lágrimas
que desceram pela face molhando minha boca
engasguei-me, nada conseguia dizer
e balbuciar uma só palavra tornou-se impossível...
Apenas sussurros, palavras mudas
que dizia com meu olhar sobre ti...
Meu amor é tão forte que chega doer no coração.
Sei que te entendo e que me entende
moro em ti e tu em mim...
Assim é o nosso amor!
Marta Peres

Agradeça

Dizes que a vida não te conforta
E que não vives bem, como querias
Viver? sofro, não vês?
Mesmo dura a vida dá alento e prazer.

As rosas convivem com os espinhos
E não reclamam, vivem,
Tu te queixas eternamente?
Fazes de tudo um drama contínuo.

Venha ver o jardim quando a noite é densa,
Nem as árvores e nem as flores reclamam
Vivem felizes dentro da noite, na solidão.
Tu tens as luzes e o quarto quente,
Elas as estrelas e a noite morta.

Nada te conforta?
Nem os ventos que batem em tua vidraça
E por lá param, tu tens proteção.
As árvores sentem pancadas
quando o vento corta os ramos
chicoteando sem piedade.

Joga teus joelhos na terra e levanta
Tuas mãos aos céus, tens vida boa
E farta é tua mesa, agradeça no pouco
Se queres ter o muito.
Marta Peres

Deixa o Pássaro Voar

Cena patética esta que provocaste,
Se sabias pra quê colocar as duas
Frente a frente, cara a cara,
Não vês tua idade...

Olharam-se sem saber o que dizer
Nem pensar, procurei no infinito
E causa alguma encontrei,
Achas melhor que todos, sabes mais?

Deixa o pássaro voar ele é livre
E não quer prisão,
Pensamento não se aprisiona
E o espírito é livre e voa
Não o queira morto.

Se tu sonhas, todos sonham,
Deixa a chama, já acendeu...
Não apaga o lume e nem deixa
A brasa dormir, acorda.

O anjo peregrino abrigou-se nela
Fazendo que tudo viesse a tona,
E sinos bimbalhavam em sua cabeça,
No seu olhar perdido palpitando o coração
Deixava rolar palavras, o ritmo tristonho
Da sua vida, ressurgia, como da outra.

E mais uma vez a vida provava a vida,
Vida vivida em tempos perdidos,
História repetida e que vai se repetir,
Pela Eternidade...
Marta Peres

Lágrima em Canto

Dentro do meu canto há o desencanto,
Mesmo quando mostro-me, encanto
E na beleza do pranto que derramei
Por ti canto...

Sinto minhas dores e as dores do mundo
No canto que é só lamento,
Vieram de ti.

A chuva fina molha meu rosto,
Queria afogar as tristezas
E não encontro caminho
Dentro da chuva que cai.

Espero olhando o final da rua,
Nada vejo e não vejo que tu vens,
Meu coração neste canto solitário chora
Sente a falta do teu amor...

Marta Peres

Mãe Maria

E ela no terreiro alimentava as aves,
Enquanto trabalhava cantava uma cantilena
Que mais parecia uma ladainha
Voa minha ave voa
Voa no céu sem parar
Voa minha ave voa
Voa em busca do seu lar.
E repetia os versos estudados
Metricamente sem errar
Voa minha ave voa
Voa que eu também quero voar
Voa minha ave voa
Vou lhe encontrar em algum lugar.
Mais parecia dor a cantiga
E todos os escravos já sabiam
Era só começar o canto
Dentro da casa do coronel
A criança iniciava seu pranto.
Estranha coincidência!
Fato contado pelo Pai Joaquim
Que vivia nas bandas dos araxás
Terras de belos índios
Que se bandearam para os Goiás.
A pobre escrava já se via no tronco
E por lá permanecia a pão e água
Nem os rogos da sinhá
Amoleciam duro coração.
E no tronco ela continuava
Como se em prece
E olhando para os céus
Parecendo ver alguém...
Voa minha ave voa
Sou triste olhando pro céu
Voa minha ave voa
Não sei o que aconteceu.
E ela via flores em belos jardins
E via o sol e os anjos em festa
Até que um dia,
Ali mesmo no tronco,
Mãe Maria morria...
Marta Peres

Nunca



Nunca ninguém sabe o que se passa em meu coração
E nunca direi, manterei guardado a sete chaves
Dentro do cofre que apenas eu posso acessar.
Não quero que me vejam rir ou chorar.

Temo e meu temor tem fundamento,
Vivo triste e minha vida é triste
Não quero que pensem que sou ou que estou
Louca, nem quero compaixão de alguém.

Nunca, nada vale mais que meu amor
E nem troco por algo diferente,
A vida eu vou levando, se indiferente
Apenas eu posso dizer...
Marta Peres

Silêncio

Novamente o silêncio se fez
E eu o conheci,
Enchia meu mundo
e ao meu redor
com o peso da agonia,
precisava sair daquele horror...
Apertei o passo saí pisando duro
Mas meu pé encostou em suas pegadas,
Caí novamente...

Marta Peres

Silêncio

Novamente o silêncio,
Silêncio mostrado e combinado
Pelo ser vil, eu já conhecia!
Este silêncio enchia tudo a volta
E meu mundo lá fora ruiu,
Nenhum barulho se ouviu...
Era trágico e patético
Como patética foi sua fala,
Triste constrangimento!
Meu coração canta agora
O horror foi embora deixando
Aberta a porta...silêncio!
Alguém quer entrar?

Marta Peres

Pássaro da Noite


Ouvi o grande pássaro da noite
Daqui de minha janela defronte ao laranjal,
Como gralha ferindo meus ouvidos
Que quietos nas nuvens descansavam.

Não era mensageiro de Deus
E era impetuoso e queria tudo saber
E pensava que tudo sabia e podia
Ficava cá perto de minha janela.

Não digas o que não sabes e nem podes
Saber, veja tudo novamente e não abuse,
Saia furtivamente a voar em bandos
Deixa a esperança renascer.

Não bata a cabeça na pedra inutilmente
E voa, palavras estridentes e cruéis
Não entram em casa azul,
Meu coração se fechou,
Meus olhos estão vendado
Marta Peres

Análise



Já pedi,
Não me analise
E nem procure pontos fracos meus.
Ninguém agüenta análise profunda
Meticulosa,
Estudada.
Serei eu a agüentar?
Sim sou assim
Ciumenta,
Exigente,
Insegura,
Carente.
Sou cheias de marcas
deixadas pela vida
só estou pedindo amor!
Marta Peres